17 de julho de 2009

[Parte 3] Ritmo


Abriu os olhos com violência. Sua mãe indagava o porquê dela dormir naquele quarto. A vontade de querer variar era sua melhor, mas única desculpa. Ambas sabiam que não passava de uma desculpa, mas não tinham porque insistir na verdade, não naquela hora. Já era a quinta ou sexta vez que ela dormia ali. Mas não conseguiu repetir aquele sonho épico.
Ela voltou ao seu quarto. Tinha uma pilha de folhas num canto, rabiscadas, amassadas, surradas pelo uso exagerado. Do lado, o violino. Violino que em instantes fora parar no ombro da garota. Ela lia as folhas como quem lê uma carta de autoria própria, ela já sabia de cor. Chamou o irmão, mandou que trouxesse o violão. Ele veio, estava curioso para ouvir a música que a irmã fazia há tanto tempo.
Tocaram juntos.
Duas, três, quatro vezes.
Ela mordia o lábio quando errava.
Eu gostava tanto de vê-la mordendo o lábio... Não porque ela errava, só achava bonito, sexy talvez.
Mas ela não errava mais. Ela chegou a um ponto em que simplesmente fazia. Desenvolveu um tipo de memória muscular que se independia do que ela lia ou não. Um transe. Mas toda música tende a acabar. Todo sonho tende a acabar. O irmão foi embora e disse que gostou da música. Ela ficou sozinha olhando para o nada. Com tanto ainda para fazer, presa à própria existência.

2 comentários:

Bruna B disse...

Nada melhor do que a prática, nada mais entusiasmente do que não saber.
Que belos esses textos J. K.

Luana Andrade disse...

otimo texto!

bjaoo

Uma luz.




Desculpe estar distante por tanto tempo. Afinal não sou mais o mesmo que era quando escrevi o primeiro texto, na verdade sou um alguém no mínimo mais consciente de que quero melhorar. E que venham as palavras pra eu despejar meus pensamentos.

Mais sobre mim na Internet

orkutfacebookblogskooblastfmdeviantarticheckmoviespicasayoutubegmailskype