6 de dezembro de 2008

Espaço vazio

Nunca tinha parado pra notar o quão grande minha cama é. Meu quarto é gélido, suas paredes são vazias, sem sentimentos, sem ídolos pendurados ou sequer um velho quadro brega pintado a óleo. A brisa que entra me reconforta e a paisagem bucólica me anima (ou deprime) de vez em quando. A luminária zumbe com o tempo, o carregador de celular zumbe o tempo todo. E com o silêncio minha cabeça zumbe e a bagunça de roupas ou objetos jogados me enfurece. Tento organizar, mas se minha mente está uma bagunça, como posso tentar arrumar meu quarto?
Meu cobertor enrolado aos travesseiros, minha guitarra no chão ao lado dos pedais. O som estridente de violões e os vocais balançam minha janela e funciona como uma anestesia temporária: paro de pensar em qualquer coisa num instante e penso nas notas, nos acordes, em cordas ou na força da batida... Arranjos novos podem mudar uma música e me dão uma chance nova de fazer aquela valer à pena. Mas meu cobertor continua enrolado com os travesseiros.
O tamanho de meu quarto não importa; a temperatura do ar não importa. Não ligo se a bagunça reina, não faz diferença se o som não me deixa pensar. A cama pode ser do tamanho que for, afinal não tem ninguém aqui. Ninguém além desse espaço vazio em mim.

Um comentário:

Monique disse...

Anestésicos podem ser úteis, mas é preciso ter cuidado, todo movimento é ameaçador para os ferimentos expostos e o corpo insensível. Quando o efeito passa, a dor é duplicada.

Uma luz.




Desculpe estar distante por tanto tempo. Afinal não sou mais o mesmo que era quando escrevi o primeiro texto, na verdade sou um alguém no mínimo mais consciente de que quero melhorar. E que venham as palavras pra eu despejar meus pensamentos.

Mais sobre mim na Internet

orkutfacebookblogskooblastfmdeviantarticheckmoviespicasayoutubegmailskype